O século XXII é o século dos mechas. Um casal de irmãos das favelas parte de uma pequena cidade situada na periferia da galáxia e, por fim, constrói uma lenda de mechas que ecoa por todo o universo. O
— Maldição! Como isso pôde acontecer?!
Dentro da cabine de comando, Baize amaldiçoava furiosamente enquanto empurrava o manche com todas as forças, mas o mecha que pilotava, o “Dragão Furioso”, não lhe dava qualquer resposta, permanecendo imóvel no centro da arena. Quanto ao seu adversário, um mecha azul estava caído no chão, expondo uma enorme vulnerabilidade.
A partir da segunda metade do século XXI, a humanidade começou a expandir-se pelo espaço, e os chamados “mechas”, máquinas humanoides tripuladas, tornaram-se populares devido à sua ampla utilidade. Diferente de outros tipos de máquinas, os mechas, com seus membros semelhantes aos humanos, podiam portar armas para ajudar os colonos a se defenderem contra criaturas primitivas nos novos planetas. Suas mãos ágeis, modeladas a partir das humanas, e suas pernas, muito mais aptas para terrenos irregulares do que chassis com rodas, tornaram-se ferramentas essenciais na construção dos assentamentos humanos.
Assim, os mechas conquistaram o público também para uso civil. Prova disso são as competições que utilizam mechas, como essa em que Baize estava participando, populares em muitos lugares. Mesmo em torneios amadores realizados em bairros periféricos e empobrecidos, havia prêmios consideráveis em jogo. Mais importante ainda, esses torneios, apesar de simples, não impunham restrições de idade: bastava possuir um mecha para participar. Por isso, até Baize, um jovem de apenas catorze anos, podia competir.
Era esse o cenário diante dos olhos de todos.
Na arena, o mecha azul já estava no chão, der